Queríamos falar da nossa angústia, de Kafka e do que sobrou da Perestroika; dos cruzados confiscados, da castanha e do que sobrou da mudança. Mas sempre tem alguém que quer ouvir falar de amor. Pior ainda, da falta de amor: da menina que não nos dá a menor bola e passa sem olhar. Essa menina nem precisa existir: não é difícil inventá-la. E então nós escrevemos a música, só para não dizerem que não somos melosos. Mas quem prestar atenção vai perceber que só cantamos sobre amores felizes: completamente imprestáveis para quem quiser ouvir sobre o seu próprio coração partido.

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