sábado, 31 de dezembro de 2011
Presentes invisíveis III
Quando as coisas pareciam difíceis, nada como se esconder em um canto do terraço, onde os amigos não a viam, e acender um cigarro. Era mais a sensação de fazer algo de que ninguém soubesse, e passar algumas horas com a cabeça recostada nas grades, enquanto as preocupações lentamente viravam fumaça: menos fumava do que observava o cigarro queimar. Talvez tivesse adormecido um pouco, por conta do cansaço, mas sentiu-se despertar de repente, e demorou um pouco para distinguir o que a acordara do burburinho da rua: um rapaz sentado na soleira da porta, alguns andares abaixo, tocava um violão.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Presentes Invisíveis II
Ele tinha confirmado presença no Face e mandado mensagem mais cedo, portanto ela chegou no horário, mesmo sabendo que atrasaria. Sentada em um canto, assistiu ao show olhando em volta às vezes, e demorou para perceber que ele não apareceria. A música e a empolgação do pessoal não a animavam, mas ela ficou até o fim. Viu o show acabar, as pessoas irem embora devagarinho e os caras da banda desmontarem os instrumentos, mas não sentia vontade de ir para casa. Enquanto pensava no que fazer, se assustou quando viu o baterista sorrir para ela, perguntando solícito se estava bem.
Presentes Invisíveis I
Ele chegava todo dia meio rabugento, e cumprimentava a todos secamente, ainda que com educação. A moça que trabalhava ao seu lado era uma dessas jovens tagarelas que voltavam do almoço rindo e fofocando. Aos poucos, conforme o ano avançava, ela ficava mais quieta e quase carrancuda, e as olheiras de cansaço se sobressaíam na maquiagem, e até ele soube quando o namorado terminou com ela. A última reunião do ano era seguida de um almoço, do qual ele nunca participava, e ao encontrar a jovem colega, sonolenta, ainda diante do computador, se aproximou dela e lhe deu um abraço.
Fantasma do Natal presente
Mandou um e-mail para o irmão com o texto mais vago possível, porque não sabia como se chamava a esposa dele nem quantos anos tinham os sobrinhos. Jantou qualquer coisa em casa antes de sair, porque a balada de Natal já se tornara uma tradição e era mais agradável do que ficar no apartamento vazio, porque os colegas de república tinham todos viajado para as cidades de origem, visitar a família, e só voltariam no Ano-Novo, que passariam na Paulista. Não queria telefonar para ninguém, nem era conveniente: os outros tinham pais e irmãos, filhos e maridos para cuidar.
domingo, 25 de dezembro de 2011
O fantasma do Natal presente
Ninguém passa mais horas na cozinha: tudo pode ser encomendado num bufê, ou comprado no mercado mesmo, basta ir com antecedência, por causa das filas. Em compensação não há filas para comprar presentes, encomendadas online também com antecedência. Depois que as crianças cresceram, não há mais razão de continuar convidando os primos pobres, que observariam com desconfiança as decorações trazidas das viagens ao exterior, de passeio e de intercâmbio. E é com fastio que se assiste ao especial da televisão que a vovó achava tão bonito, e que tolerávamos por amor a ela, enquanto se espera o jantar.
O Fantasma do Natal passado

Entre mais um plano econômico e as eleições em breve, cujo resultado seria o confisco das nossas poupanças e outro Natal ainda mais magro – ainda nos demos ao luxo de um chester e um tender, depois que o comercial da tevê nos explicava do que se tratavam, mais um sem-número de coisas que só comíamos nessa época porque não se vendiam no mercado – batata palha e mousse de chocolate, por exemplo –, de um Phantom System em que jogamos Ghostbusters as férias todinhas e de uma árvore com enfeites de papel e isopor, porque eles ainda não eram feitos na China.
Mensagens
Ela tinha convidado alguns colegas para o show, mas ninguém conhecia as bandas que iam tocar. Tentou marcar uma cerveja para depois, mas os horários não acertavam: era sempre o aniversário de alguém, a hora do plantão no trabalho, o dia da mudança. Do show para o barzinho ela caminhava sozinha entre grupos barulhentos de amigos, enquanto ela recebia os torpedos com as desculpas – não deu, não vai dar, outro dia a gente vê. E acabava se divertindo com recém-conhecidos que encontrava no balcão – as pessoas com quem convivia todos os dias, afinal, não faziam idéia de quem ela era.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Luzes
Às vezes é divertido andar pela própria cidade como quem passeia por um país estrangeiro: caminhar pelas ruas e tentar imaginar a história dos edifícios e o que pensam aquelas pessoas. E ter a idéia de que é comum, que todos os finais de semana é possível interditar a principal avenida da cidade para que os carros dêem lugar aos pipoqueiros e cachorros. Como um turista, andar sem objetivo, apenas para que os ladrilhos dos pavimentos te conheçam e os passantes com hora marcada se irritem: porque a rua só é propriedade de quem a trata com o devido respeito.
Ressaca
Você tem uma noite incrível, a melhor da sua vida: a banda fez um show maravilhoso, aquele gato te deu bola, seu cabelo estava perfeito. Você acorda no dia seguinte e, não sem surpresa, o mundo continua igual: a caixa da padaria te trata com a mesma atenção distraída, o chefe continua de cara amarrada, o ruído do escritório não mudou. Mas as imagens dispersas na lembrança atravessam a mente ao longo do dia, te sustentam e te fazem sorrir enquanto o trânsito não anda e os colegas resmungam na hora do café.
Timidez
Ela foi ao aniversário se sentindo meio intrusa por conta do convite pelo Facebook. Passou a noite em um canto, sem ousar se aproximar: havia sempre um círculo em torno dele, e mesmo quando não era o protagonista da festa magnetizava todas as atenções. Não era bonito, mas tinha uma luz irresistível e tratava todos com atenção e carinho. Finalmente, no fim da noite, ela aproveitou uma folga e entregou o seu presente, que ele agradeceu doce e atencioso, com um beijo e um abraço. Será que um amor, ainda que platônico, pode sobreviver com a lembrança de um abraço?
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Inception
Ele mal sabia que ela existia, no clichê mais cansativo. E ela adormecia todas as noites pensando nele com intensidade, para não pensar nos problemas do trabalho que a atolavam. Uma noite, ela estava no escritório, onde mesas de bufê cobertas de iguarias substituíam os computadores: nada a atraía, e ela decidia ir embora. No último degrau da escada, porém, um monstro pré-histórico a aguardava e, enquanto gritava em desespero para não ser devorada, acordou. Ele estava ao seu lado na cama, consolando-a do susto, perguntando o que acontecera. Ela respondeu que só fora um pesadelo e adormeceu de novo.
Inspiração
É impossível escrever direito quando se está apaixonada. Apaixonados falam muito, mas nada interessante: a paixão é como música sertaneja – todas são iguais, mas são cantadas como se fossem únicas. Se a paixão é platônica, então, é ainda pior: o diário se enche de páginas de um único tema e desenhos de coraçõezinhos; qualquer olhar ou aperto de mão é motivo de parágrafos inteiros. Apaixonados deveriam ser proibidos de escrever, mesmo porque não é direito com quem não tem essa felicidade. Apaixonados felizes deveriam ser trancafiados numa cela e calados antes que todos saibam o quanto a sensação é intoxicante.
Brigadeiro
Houve um tempo em que as horas eram marcadas pelo barulho das buzinas, que era alto às oito da manhã, aumentava novamente ao meio-dia e desaparecia durante a tarde, para crescer aos poucos e ficar insuportável só pelas sete da noite. Então, em algum momento da minha adolescência, os motoristas se esqueceram de buzinar, como se tivessem percebido que era inútil. Mas agora se lembraram, mas nesse ínterim a cidade se transformou num congestionamento permanente, e, para coroar o trânsito emperrado e o calor, nada como um coro desafinado de buzinar e o trautear do desfile de vendedores de semáforo.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Castelo Branco
Ainda há sol, mas o ruído e o movimento já são noturnos: diálogos de telenovela e as panelas do jantar. Por causa do calor, todas as portas e janelas estão abertas e os gritos e saleiros cruzam os corredores. Todo mundo circula de pijama e se intromete no apartamento de todo mundo: o que você está comendo, o que está assistindo, que site na internet é esse, não acredito que você ficou com ele de novo. Parados no tempo como numa imensa casa na árvore, cercada de índios e piratas, brincando de ser adultos enquanto os pais pagam as contas.
Barão de Mauá
Todos os dias, neste horário, os motoristas neste cruzamento buzinam para os outros se mexerem, como se eles mesmos não fizessem parte do congestionamento. Engraçado que, há vinte anos, sentada no banco traseiro do carro dirigido pela minha mãe – praticamente o lugar onde eu cresci – eu já estava às seis e meia da tarde neste exato semáforo e me perguntava o que tanta gente fazia ali ao mesmo tempo, e devem ser os mesmos, presos há duas décadas ao mesmo compromisso urgente. A vantagem é que hoje o som das buzinas me avisa que a hora do meu cochilo acabou.
Pareço moderno
Ele descia do apartamento no elevador que se movia lentamente e com um ruído estranho, como um filme de ficção científica dos anos 70, mas não sentia a fronteira entre o seu quarto e a rua: era o mesmo universo surreal, habitado por seres de óculos de aro colorido sem lente, que falavam usando termos desconexos como coxinha e Pasolini. Ela tinha escrito qualquer coisa no Facebook ou no Twitter e ele percorria a calçada, desesperado pela certeza de que ela estaria sentada numa daquelas mesinhas, bebendo Balalaika com limão enquanto discutia Kurt Weill, tão moderno quanto não ter orgulho.
Zazulejo 5:41
Quem separa, afinal, o que se diz certo do que se diz errado, e a troco de quê? A facilidade de zombar de quem não teve a mesma oportunidade, como se a língua – assim como o carro, o celular e a proteção da polícia – só pudesse ser usada por quem pagou por ela. Seria uma discussão quase científica, quando não servisse para desqualificar candidatos a cargos públicos contra os quais não se encontra outro argumento, ou preencher a pauta de um telejornal com problemas de assunto: a concordância nominal vigiada por quem desvia verbas públicas e sonega imposto de renda.
A Pedra mais alta 2:00
Andar apenas, até a dor nos pés desistir de protestar. E, na subida, descobrir cada um dos músculos que envolvem os pulmões. Chegando no alto, nada é importante. As pessoas na cidade quilômetros abaixo se tornaram invisíveis, os prédios irrelevantes. E todos os problemas do mundo, solúveis: o número do telefone do irmão há anos esquecido, a mala com as roupas do ex-namorado no hall, as horas mal pagas no trabalho. A paixão pela tristeza, os pensamentos dos dias solitários, os cortes nos antebraços, a falta de um abraço. É proibido pensar no trampo que vai ser voltar para casa.
Corte no pé 1:23
Era para ser inofensivo: um carinha bonito e simpático se sentara ao lado dela no bar, começou uma conversa interessante e uma coisa levou à outra. Mas, entre a saída da balada e a entrada do metrô, algum mecanismo foi acionado e começou o jogo: ele identificara os pontos fracos dela, e ela se apaixonou pela sua voz grave e mãos quentes. Ele a tratava com carinho e respeito e em seguida terminava com ela ou desaparecia. Ela encontrava outra pessoa, em outra balada, e ele aparecia puxando briga. Certos relacionamentos são indecifráveis, e há quem os confunda com amor.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Aluga-se-vende
Três discos, e uma única música triste. Na verdade, a tristeza, a angústia e o medo estão sempre ali, para nunca serem esquecidos mas também nunca dominarem o ambiente; para serem confrontados a propósito, e não cultivados como um bichinho de estimação. Você espera ansiosamente aquele único momento de tristeza, para revivê-la em catarse como já fez tantas vezes. E, para o seu espanto, o vocalista manda todo mundo abaixar (e todo mundo obedece). De repente todos pulam e o lugar se enche de balões coloridos, ninguém está triste... Tanto falam da roda de Copacabana, mas esse momento é inesquecível.
Insatisfeito
Quem não tem não tem como gastar, e quem gasta se desgasta pois não tem onde guardar. Nossa vida se tornou um amontoado de coisas, e as pessoas se definem por aquilo que elas vão comprar em seguida. E gastam para guardar aquilo com que gastaram: uma casa maior, com um cômodo só para a tevê gigante, o computador e a mesa do computador. E, de forma absurdamente inconsciente, não estão felizes e querem ainda mais. E, um dia, o que deixarão para trás será apenas um amontoado de coisas, que os herdeiros precisarão ordenar antes de jogar tudo fora.
Adeus
A gente baixa o disco, põe pra tocar e ele começa com um adeus. Mas não é uma vontade de ser do contra semiótico: como se aprende até a última faixa, saiba que todo fim é um recomeço. E, para começar alguma coisa, é preciso se despedir de muitas outras. Muita gente entende como uma simples declaração de amor, e também serve. Como o prefácio de um bom livro, porém, o que há é uma carta de intenções, sem ambições exacerbadas, apenas a vontade de fazer. E, sorrindo, sinto retornar o valor das coisas que têm começo, meio e fim.
Eu.nasci.com.fama
Pode ser que ninguém mais se lembre do ICQ, mas os mecanismos da celebridade continuam perversos, como num sinistro show de Truman. Quem escolhe, com quais critérios, quem fica famoso e quem permanece anônimo? Ou, como o Youtube nos ajuda a fazer de conta, trata-se de um evento aleatório? Fala-se muito da falta de identidade de quem vive sob os holofotes, como num anúncio permanente, casamentos e gravidezes apenas para a capa de Caras. E de quem clica, minuto a minuto, nos links que alimentam esses holofotes e empurra lá para baixo nas ocorrências o debate sobre o código florestal?
Cheia de manha
Entre tantas musas contemporâneas, de mulheres-fruta a rainhas de bateria, a quem ocorreria escrever uma música sobre aquela menininha irritante das tardes de domingo? Mais alguém teria percebido, portanto, que, com o baby-liss e os vestidinhos cor-de-rosa, não faria muita diferença se ela simplesmente desse cambalhotas pelo palco. Ela se esforça em cantar e dançar, esperando aprovação, como se alguém estivesse, de fato, prestando atenção, e mesmo o seu choro ocasional – crianças se assustam, se irritam e ficam tristes – provoca risos quase cruéis. Afinal, qual a diferença entre esta menina e aquelas, pensando friamente no que o futuro lhe reserva?
(A única cena que me ocorre, diante dessas crianças precoces, é aquela em que, em O Poderoso Chefão, Tom Hagen vê uma delas entrar no quarto de um produtor de cinema. Não está no filme.)
Menina-moça
Existe uma diferença fundamental entre ser bom e ser o melhor, que parece incompreensível. E o esforço para ser melhor do que os outros consome tempo e energia, que se esvaem sem perceber: ler a Veja inteira antes da segunda-feira, para saber em qual restaurante é preciso ir e qual o tablet comprar antes que todo mundo; e a necessidade de parecer eficiente o tempo todo, até mesmo na sua incompetência. Daqui a poucos anos, ninguém vai se lembrar de que você existiu ou de algo que você fez, mas a sua insignificância foi melhor do que a dos outros.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Cão guia

Eles tinham tocado a música dois dias antes, no Rio de Janeiro. Na verdade, tinham aberto o Rock in Rio com ela. Mas era muito mais importante que estavam tocando diante de mim e mais uma dúzia de pessoas na plateia, incluindo a minha maiga que os via ao vivo pela primeira vez. Depois que Gabriel, BC e Fábio passaram um tempão só aquecendo, subiram os sopros um por um, tocando faixas inteiras que com atenção se reconheciam. Às duas da tarde já chuviscava, mas valiam a pena a garoa e o frio por um show exclusivo de cinco minutos.
P.S.: Esse conto é excerto de uma resenha escrita para a seção "Repórter por um show" do blog dos cupins, que por razões desconhecidas nunca foi publicada.
Fluorescent Adolescent 1:11
Quando não é mais precoce escrever sobre a decepção? Tão frustrada consigo mesma antes que qualquer coisa pudesse ter acontecido de verdade, e seus sonhos não eram tão bobos quanto pareciam enquanto você os sonhava. Então escreve uma carta para si mesma no futuro, consolando-se da própria decepção e do próprio excesso de ambição: não foram pais nem seus amigos, não foi o mundo que criou toda aquela expectativa, foi só a sua vontade de que aquela energia da juventude fosse eterna. Geração esquisita essa, que já se considerou fracassada antes dos 30 anos (dos vinte, pra falar a verdade).
Pontilhado em negrito
No fundo, todo mundo acha que nasceu tarde demais e lamenta ter chegado a um mundo em que tudo já parece ter sido dito ou criado. O mundo nunca foi novo, mas o universo pode ser reinventado a todo momento, apenas a receita não está em lugar nenhum. Há coisas demais que estão ali apenas para serem redescobertas, ressuscitadas e postadas no Youtube, porque ninguém mais se lembrou de lembrar delas, e só por isso tanta coisa nova pode ser criada. E daí que não seja novo pros outros, contanto que seja pra mim? (De repente, repetir é uma invenção.)
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Sadô-masô
Em alguns momentos viver uma vida banal parece muito mais pesado do que deveria, e pequenas obrigações ocupam a sua mente durante toda a madrugada. O problema é a insônia e a enxaqueca se transformarem em fonte de jouissance, e você canta a sua inquietação em mau francês e ritmo de strip-tease. O que foi escrito nas horas perdidas ainda não faz sentido, mas todo mundo parece entender assim mesmo, como se estivessem lá enquanto você queria dormir e nem o violão podia pegar, por causa dos vizinhos. A frustração é difícil de aceitar, mas é simples conviver com ela.
Seria o rolex?
“Nunca pensamos que estavam construindo coisas, achamos que era só vontade de fazer barulho.” (Rowling 2001:48) Há sempre um momento em que a gente decide se quer construir algo ou apenas fazer barulho; em que se distingue um conceito da mera vontade de fazer piada. É perfeitamente possível se levar a sério sendo bem-humorado, e leve sem ser leviano. Mas quantos de fato entendem aquilo que a gente quer dizer? Não falo da receita exótica apresentada com jeito de cinema mudo – que não deixa de ser uma escolha de estilo significativa – mas dessa estranha resolução de ser um alegre deprê.
Bem natural 2:25
Há ambições mais inatingíveis do que outras. Alguns sonham com fama, sucesso e poder, essas coisas corriqueiras cujo desejo vem não sei de onde e cujo caminho é indecifrável. Ele observava os colegas que prestavam direito ou medicina, que compravam um carro ou um iPhone, que se engalfinhavam por uma vaga numa multinacional ou como assessor de um deputado, e não entendia o que os movia ou em direção a quê; e sonhava em descobrir o que era o seu desejo, sem a influência de nada que lhe fosse externo, nem dinheiro nem meninas, e assim conseguir apenas ser feliz.
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