Entre tantas musas contemporâneas, de mulheres-fruta a rainhas de bateria, a quem ocorreria escrever uma música sobre aquela menininha irritante das tardes de domingo? Mais alguém teria percebido, portanto, que, com o baby-liss e os vestidinhos cor-de-rosa, não faria muita diferença se ela simplesmente desse cambalhotas pelo palco. Ela se esforça em cantar e dançar, esperando aprovação, como se alguém estivesse, de fato, prestando atenção, e mesmo o seu choro ocasional – crianças se assustam, se irritam e ficam tristes – provoca risos quase cruéis. Afinal, qual a diferença entre esta menina e aquelas, pensando friamente no que o futuro lhe reserva?
(A única cena que me ocorre, diante dessas crianças precoces, é aquela em que, em O Poderoso Chefão, Tom Hagen vê uma delas entrar no quarto de um produtor de cinema. Não está no filme.)
Nenhum comentário:
Postar um comentário