Depois de alguns encontros, ele disse que faria aniversário naquela semana e que haveria uma festa, em que queria que ela conhecesse “todo mundo”. Diante do convite indecifrável, saltaram as dúvidas: como presentear alguém que conhecia havia menos de um mês, e quem ela ia conhecer? Ele se referia à “família” o tempo todo, que ela achava tão cedo para ser apresentada. A dúvida a seguiu enquanto ela colocava a lembrancinha simples na bolsa e se vestia sem a mínima idéia de para onde iria. Quando chegou, quem os esperava no bar lotado era a imensa família de amigos barulhentos.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Menina dos Fósforos
O inverno era eterno: paisagens de gelo que se estendiam até onde se pode ver, camadas grossíssimas e densas de neve que cobriam as ruas, icebergs que se acumulavam nas esquinas e nas quais as luzes dos carros batiam e se refletiam de modo tétrico, espectral. Para os poucos transeuntes que apareciam, um fósforo era quase nada diante da lareira que os esperava quando chegassem logo em casa. Para ela, seus fósforos, além dos pés descalços e do cabelo despenteado, eram a única coisa que possuía, portanto o seu maior tesouro e para o seu pequeno corpo, quentes o bastante.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Cachecóis
Diante da névoa fria que cobria a paisagem, a pergunta: qual deles usar? Diante do guarda-roupa, escolhia entre o listrado, o azul florido, o verde de lã. Diante da onda de cinza que invadia a paisagem do escritório – o preto dos terninhos e botas com o branco das blusinhas e colares de pérola com um nó –, ela usava uma cor diferente todo dia e combinava com a bota, ou com o casaco, ou com os brincos. Era até uma pena quando o frio desaparecia e ela tinha que guardá-los, um a um dobrados na gaveta, para o próximo ano.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Morangos
De repente, as bancas amarelo-esverdeadas da feira se cobriram de cores fortes e vivas: morangos, figos, maçãs reluzentes, uvas rosadas, berinjelas, tomates de vários formatos, caquis, alcachofras. O colorido cítrico do verão era substituído por esse outro, mais quente e aconchegante, que era levado para casa para ser coberto por caldas, assado com queijos e chocolate, temperados por chás e comidos sob o edredom, vendo tevê na cama. Mas o calor daquele cardápio provinha antes dos vermelhos e roxos que enchiam despensas e geladeiras, aquecendo o olhar e tornando irrespondível a pergunta, por que tanta gente não gosta do inverno?
domingo, 25 de setembro de 2011
Dia das crianças
Depois de acionado pela terceira vez, o alçapão do castelo medieval não subia mais. O carro da Barbie só tinha a vantagem de ser cor-de-rosa, mas não andava, e o comandos em ação novo em folha já tinha o dedo quebrado. Mas, como ainda faltavam dois meses para o Natal, era preciso dar um jeito: Andrezinho desenhou folhas num pedaço de papel e cobriu com ele o buraco do alçapão, Michele guardava os batons no porta-malas da Barbie e Eduardo prendia a espingarda o G. I. Joe com um elástico. Houve um tempo em que precisávamos esperar pelo próximo presente.
sábado, 24 de setembro de 2011
Escadas
Eu sonhei que subia as escadas do prédio aqui, e que não chegava nunca ao consultório. Era uma escada longa e sinistra, estava escuro, e meus pés estavam cansados, mas eu tinha que chegar aqui de qualquer jeito. Havia alguma coisa muito importante que eu tinha que te contar. E a escada não acabava nunca. Conforme eu ia subindo, percebi desesperado que tinha esquecido o que precisava contar, e tentava me lembrar enquanto a escadaria ficava mais íngreme. O sonho não termina, mas também não tinha começado. Então, nem sei por que estou contando tudo isso para uma poltrona vazia.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Maria Antonieta
É pouco provável separar uma pessoa do que se crê dela. É ainda menos provável que alguém educado num sistema e que o represente possa, de alguma forma, estar consciente de que ele eventualmente ruirá. Diamantes em troca de liberdade formam, na verdade, um conceito muito romântico a respeito do poder dos diamantes, bem como mantém uma idéia ingênua a respeito de mulheres no poder, como se a proximidade dos ministros e a pompa dos castelos garantissem alguma forma de influência: amantes são despachadas no raiar da madrugada, princesas freqüentam bailes mascarados e rainhas são executadas com bebês no colo.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Cianeto
Na verdade, eu não acho que preciso de terapia. Não tem nada de errado comigo, nem com a minha vida. Meu marido tem um bom emprego, ele fica no escritório até tarde, às vezes no final de semana. Nossa casa é própria e o meu carro é novo. Eu sou professora da rede, mas não preciso ir trabalhar. As crianças vão bem na escola. Nossa empregada é quem faz o almoço e depois as leva para a escola, mas naquele dia eu tive vontade de fazer uma coisa diferente e cozinhar, mas acho que elas não gostaram da minha comida.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Experimento para um conto romântico III
Quando chegou à loja, Lotário sentiu-se quase aliviado em achá-la fechada. Mas, lembrando-se do amigo, decidiu tocar a campainha – e se abriu uma porta de uma escada lateral que levou Lotário ao que parecia ser o apartamento da estranha comerciante.
Ela estava deitada na cama no meio do cômodo, onde se espalhavam réplicas da cadeira vermelha. Levado por uma atração irresistível, ele fez amor com a horrenda figura, que no final apontou uma das cadeiras, que ele entendeu que podia levar consigo. A caminho da porta, ele olhou para trás – e a velha de costas, nua, exibia um imenso pênis.
Experimento para um conto romântico II
Enquanto os dois compravam os móveis e eletrodomésticos necessários ao futuro apartamento, acabaram percorrendo várias vezes uma longa rua repleta de lojas de móveis antigos, que faziam o seu gosto. Entre elas, acharam uma loja cuja dona era uma velhinha de roupas ciganas, fumando um cachimbo numa cadeira de balanço.
Ali encontraram uma cadeira forrada de veludo vermelho que não teria utilidade nenhuma na casa de dois solteirões – mas que Natanael decidiu comprar de qualquer maneira. Afetado pelo sorriso sinistro da velha, Lotário convenceu o amigo a não a levar naquele dia – e prometeu buscá-la ele mesmo na semana seguinte.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Experimento para um conto romântico, parte I
Lotário e Natanael eram dois amigos que decidiram tirar proveito de suas respectivas heranças e tranqüilos empregos nas empresas de seus pais para aprofundar a sua amizade, alugando um apartamento em comum nas proximidades dos bares e das casas noturnas que costumavam freqüentar todas as noites.
Enquanto Natanael tinha um temperamento meio distraído, aceitando todas as situações sem discussão, Lotário era mais desconfiado e curioso e sempre queria saber a causa de todas as coisas, o que já o levara a proteger o amigo de muitas situações perigosas. Mas ambos eram igualmente otimistas e queridos pelo seu grupo de amigos.
domingo, 18 de setembro de 2011
Inexplicável
Todas as vezes em que eles se despediam – geralmente, quando ela embarcava no ônibus de volta para casa, ele parado de pé no ponto – havia a estranha sensação de que não se veriam mais. A rigor, eles não eram nada um do outro; não existia nenhuma forma de compromisso, de obrigação; e, quando eles passavam o final de semana juntos, havia uma sensação de cansaço, de que eles não tinham mais o que falar. Apesar disso, uma dos dois sempre acabava ligando depois de alguns dias, e marcavam de se encontrar, terminando a noite abraçados na cama de um deles.
sábado, 17 de setembro de 2011
As virgens suicidas
A pequena rua de subúrbio é uma imagem congelada de gramados recém-cortados e carros limpos nas garagens, como numa pintura barroca. Tudo está prestes a fenecer: em breve a fuligem tóxica cobrirá as casas, em muito breve os carros funerários formarão uma fila diante da casa em que vivem as cinco irmãs. Da janela do outro lado da rua nós observávamos, sem compreendê-lo, a lenta aproximação do fim da nossa inocência, enquanto algo muito mais tóxico do que a poluição da usina próxima ou que o gás de cozinha que matara Bonnie começava a cobrir toda a vizinhança: o silêncio.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Experimento para uma ficção científica III
Apenas no corredor homens de preto passavam carregando carrinhos de mão com bolsas pretas contendo o que se via serem imensas barras de ouro. Normalmente eles não o fariam de maneira tão ostensiva, mas ninguém parecia se importar. Ela os seguiu, curiosa, e descobriu que eles esvaziavam um cofre arrombado obviamente pela hecatombe e carregavam tudo no trem parado na linha atrás do prédio. Sem a presença da polícia, roubavam com paciência e sem remorso. A certa hora, todos se levantaram como se fossem para casa, vestiram os casacos e embarcaram no trem, enquanto o prédio começava a se desfazer.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Experimento para uma ficção científica II
Um dia tomou, como programado antes da tragédia, um outro ônibus que a levava para o serviço ocasional em uma empresa distante. Estranhou na portaria o movimento habitual dos carros e do trem: sempre havia sobreviventes hostis, mas eles dificilmente agiam às claras. No interior do prédio, a mesma circulação de engravatados e mulheres de terninho e salto alto não denunciaria nada, se pela janela não se avistasse parte da cidade arrasada, com a ponte principal partida em duas. Chegou ao escritório onde trabalhava o seu cliente, e ele parecia ocupadíssimo como sempre, e como sempre pediu para ela esperar.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Experimento para uma ficção científica, parte I
A hecatombe esvaziara as ruas e derrubara os prédios, mas, por alguma estranha razão relacionada à pré-programação dos sistemas de transporte público, iluminação e energia, os ônibus continuavam circulando normalmente. Os poucos sobreviventes então aproveitavam a cidade tranqüila e repetiam os seus caminhos de casa para o trabalho e vice-versa, mesmo não tendo nada o que fazer e, embora vivessem no sistema cada-um-por-si, sentavam-se cordialmente ao lado uns dos outros.
Os ônibus semivazios eram mais propícios ao flerte, e ela se sentiu mais segura no dia em que ele passou o braço pelos seus ombros, afastando uma horda potencialmente hostil.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Rockkonzert II
Enquanto ele pagava o ingresso em duas vezes no cartão de crédito, e gastava quase a mesma quantia em um táxi depois, ela chegava à casa de metrô e, por ter posto o nome na lista, não pagava entrada. Ele vira o vocalista a dezenas de metros de distância, e do concerto ficara a lembrança de canhões de luzes coloridas. Ela sentou no fundo do salão, com uma boa visão do palco com a balada semivazia. Enquanto ela trocava endereços no Twitter com os membros da banda, ele tinha a certeza de que Bono Vox pouco se importava com ele.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Microondas
Quando se muda para um apartamento, há uma preocupação constante com a comida: como e o quanto comprar, se comida fresca ou só pronta, não comprar só besteira. E é curioso como, aos poucos, alguns objetos que sequer se tinha consciência de que existiam começam a ganhar forma e significado: o batedor de ovos para aquela omelete que parecia básica, uma xícara maior para a sopa de envelopinho, o abridor de garrafas. Mas um aparelho com que se contava para todas as horas e parecia tão simples começa a virar um enigma: a pipoca queima e o macarrão fica cru.
domingo, 11 de setembro de 2011
Rockkonzert I
Toda banda muito nova parece envolver cabelos encaracolados, alguém tocando de paletó e tênis e uma quantidade inacreditável de energia, principalmente diante de uma platéia que os desconhece. O importante é enfrentar: enfrentar o frio e a balada semivazia, onde há tempo demais para registrar o aspecto de galpão do ambiente onde pessoas vagueiam com garrafas de cerveja, que a bebida e a boa música em geral obnubilam. Custa entender, mas nem todo mundo está ali por causa da música. Mas aqueles para quem a música vem de dentro são impelidos para o centro por essa força centrífuga chamada talento.
sábado, 10 de setembro de 2011
Se o meu apartamento falasse
A unha descascada, o sapato virado, o pó sobre os móveis. A lâmpada queimada, a roupa no varal vai saber há quantos dias, a geladeira vazia. O coador sem café, a lixeira transbordando, o pó debaixo dos móveis. A cama desarrumada, a roupa para a lavanderia, o marcador em uma página do livro que não me lembro de ter começado a ler. O incenso queimado, o CD fora da caixa, a lição de casa por fazer. A agenda em branco, porque é preciso lembrar também de anotar. O despertador sem pilha, a chave sem chaveiro, tudo espalhado fora da bolsa.
Início de namoro
Ela saíra de casa sem nenhum plano a não ser beber ou ouvir música; sequer chamara as amigas, para que os homens não se tornassem o tema da noite. Então ficou a maior parte do tempo sentada no bar, acompanhando o show pelo telão.
Ele fora arrastado pelos amigos, que insistiram em levá-lo junto mesmo sem ter grana para pagar. Chegou já tão bêbado que não notou a menina sentada ao seu lado; foi seu amigo quem a viu, pagou a conta, emprestou o carro e depois sumiu estrategicamente. Crentes de que nunca mais se veriam, foram direto pro motel.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Lost in Translation
Na superfície lisa das aparências, tudo estava bem. Ela se casara com um diretor de videoclipes com quem viajava o mundo e podia ver de perto as bandas preferidas da sua adolescência, e, como convém a uma jovem do Village, tinha uma grife de roupas, por causa da qual viajava até Tóquio. Havia sempre quem perguntasse quando ela atuaria de novo, mas nos filmes do pai ela sempre preferira ficar na produção. O que não estava bem é que, no final das contas, ela não fazia nada e vagueava insone entre quartos de hotel, não dizendo nada sobre o segredo.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Geladeiras
Existe uma relação entre uma geladeira e a personalidade do dono: algumas guardam presunto, bacon, maionese e coca-cola; outras têm água e manteiga; e outras, ainda, ostentam leite de soja, pão integral e salada verde. As primeiras pertencem a rapazes que só compram o que gostam, as segundas àquela gente que trabalha e estuda, e a terceira, a meninas que estão sempre de regime. Mas há uma que é incompreensível: quando se volta para a casa da mãe, nos feriados, e se abre aquela geladeira repleta de molhos e conservas esquisitas, uma monte de legumes e um assado em marinada.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Azaleias
Na manhã de domingo, primeiro dia do mês, saiu de casa para tomar o café da manhã como sempre. Achou que havia alguma coisa diferente, mas pensou que era o frio extremo e apertou o cachecol. O caminho de volta pela névoa foi ainda mais frio, e ela apressou o passo de olhos baixos. Mas, na manhã seguinte, meio adormecida no ônibus de segunda-feira, percebeu a rua abaixo do viaduto, normalmente cinza, coberta de rosa-choque nas margens ladeadas por arbustos. Por que ninguém gosta do inverno, pensou, olhando a linha na paisagem entre o céu escuro e a mancha rosa.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Televisão
De repente se ganha muito tempo e liberdade para fazer o que quiser sozinho: longas horas na internet sem hora certa para jantar, ouvir música no último volume e chegar em casa a qualquer hora. Mas, apesar da oportunidade do silêncio e de poder finalmente assentar as idéias, respirar e escrever, o que se percebe é a presença constante de um elemento que se considerava dispensável, mas que vira um companheiro ainda que apenas no sentido de alguém que faz barulho, afinal não há dinheiro para a assinatura de canais bons, e se decora a programação de todos os ruins.
domingo, 4 de setembro de 2011
Cachinhos Dourados
Fazia dias que ela andava pela floresta, ininterruptamente. Ela não tinha mais casa, nem família; se os perdera ou fora expulsa por algum motivo, nem ela se lembrava mais. Seu único pensamento, afixado no cérebro entorpecido, era chegar a um abrigo.
Certa manhã, avistou de longe a fumaça de uma chaminé e sentiu o cheiro doce do mingau: não se lembrava da última vez em que comera. Aproximou-se da mesa e provou um pouco de cada prato, com medo de que dessem por falta. Exausta, sentou-se um pouquinho em cada cadeira e por fim se deitou na cama mais escondida.
sábado, 3 de setembro de 2011
Infância de plástico

Ricardo pegava uma sacola de supermercado para fazer um pára-quedas para o seu comandos em ação, e o soltava pela janela do prédio (o problema era achar o dito na quadra embaixo depois, ou o que sobrasse dele). Aninha roubava o helicóptero do Rambo do irmão para a sua Moranguinho pilotar, porque ela era uma executiva de empresa igual à Rainha da Sucata. Alex juntou vários conjuntos de Playmobil e reproduziu o hotel-fazenda das últimas férias, usando os cavalos do velho oeste e os móveis da casa de praia. Nossa infância podia abundar em plástico, mas não faltava em imaginação.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Lenços
A princípio, era um escritório como outro qualquer: havia uma mesa grande com uma cadeira e um telefone, e alguns cadernos na gaveta. Mas aos poucos ele ficava mais parecido com uma sala de estar, com um sofá e uma poltrona, e a mesinha de centro em que vasos de flores se alternavam com bichinhos de pelúcia. Mas se tratava principalmente de um lugar sagrado, cheio de segredos guardados durante muito tempo e confissões constrangedoras, e no centro de tudo ele se sentava com paciência e com carinho, disposta a enxugar lágrimas e remover maquiagens, saindo escondido em algum bolso.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Segunda Época
O maior evento do calendário acadêmico era, aparentemente, a festa do centro acadêmico de Engenharia. Antes disso havia, é claro, as cervejadas de quarta-feira, os piqueniques de quinta, as festinhas do centro acadêmico de química às sextas, onde o cardápio oferecia C2H5OH e H20. Uns chatos de Ciências Sociais tentaram transformar os piqueniques em saraus, mas ninguém queria ouvir Drummond de ressaca. Nenhum deles, entretanto, superava a festa da Engenharia, que encerrava o semestre e lhe dava sentido. O que ninguém parecia perceber é que nela jamais apareciam os alunos do último ano, subitamente conscientes de que precisavam de diploma.
Assinar:
Postagens (Atom)


