O inverno era eterno: paisagens de gelo que se estendiam até onde se pode ver, camadas grossíssimas e densas de neve que cobriam as ruas, icebergs que se acumulavam nas esquinas e nas quais as luzes dos carros batiam e se refletiam de modo tétrico, espectral. Para os poucos transeuntes que apareciam, um fósforo era quase nada diante da lareira que os esperava quando chegassem logo em casa. Para ela, seus fósforos, além dos pés descalços e do cabelo despenteado, eram a única coisa que possuía, portanto o seu maior tesouro e para o seu pequeno corpo, quentes o bastante.
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