quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Experimento para uma ficção científica, parte I

A hecatombe esvaziara as ruas e derrubara os prédios, mas, por alguma estranha razão relacionada à pré-programação dos sistemas de transporte público, iluminação e energia, os ônibus continuavam circulando normalmente. Os poucos sobreviventes então aproveitavam a cidade tranqüila e repetiam os seus caminhos de casa para o trabalho e vice-versa, mesmo não tendo nada o que fazer e, embora vivessem no sistema cada-um-por-si, sentavam-se cordialmente ao lado uns dos outros.
         Os ônibus semivazios eram mais propícios ao flerte, e ela se sentiu mais segura no dia em que ele passou o braço pelos seus ombros, afastando uma horda potencialmente hostil.

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