sábado, 31 de dezembro de 2011
Presentes invisíveis III
Quando as coisas pareciam difíceis, nada como se esconder em um canto do terraço, onde os amigos não a viam, e acender um cigarro. Era mais a sensação de fazer algo de que ninguém soubesse, e passar algumas horas com a cabeça recostada nas grades, enquanto as preocupações lentamente viravam fumaça: menos fumava do que observava o cigarro queimar. Talvez tivesse adormecido um pouco, por conta do cansaço, mas sentiu-se despertar de repente, e demorou um pouco para distinguir o que a acordara do burburinho da rua: um rapaz sentado na soleira da porta, alguns andares abaixo, tocava um violão.
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