Ele descia do apartamento no elevador que se movia lentamente e com um ruído estranho, como um filme de ficção científica dos anos 70, mas não sentia a fronteira entre o seu quarto e a rua: era o mesmo universo surreal, habitado por seres de óculos de aro colorido sem lente, que falavam usando termos desconexos como coxinha e Pasolini. Ela tinha escrito qualquer coisa no Facebook ou no Twitter e ele percorria a calçada, desesperado pela certeza de que ela estaria sentada numa daquelas mesinhas, bebendo Balalaika com limão enquanto discutia Kurt Weill, tão moderno quanto não ter orgulho.
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