É impossível escrever direito quando se está apaixonada. Apaixonados falam muito, mas nada interessante: a paixão é como música sertaneja – todas são iguais, mas são cantadas como se fossem únicas. Se a paixão é platônica, então, é ainda pior: o diário se enche de páginas de um único tema e desenhos de coraçõezinhos; qualquer olhar ou aperto de mão é motivo de parágrafos inteiros. Apaixonados deveriam ser proibidos de escrever, mesmo porque não é direito com quem não tem essa felicidade. Apaixonados felizes deveriam ser trancafiados numa cela e calados antes que todos saibam o quanto a sensação é intoxicante.
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