domingo, 28 de agosto de 2011

Chuva

Era com uma deusa antiga, temperamental e instável, que decidia os destinos dos súditos conforme a vontade: namorados não se encontravam, jovens ansiosos perdiam empregos, mães corriam em busca de seus filhinhos. Em uma cidade em que ateus e cristãos, pagãos e budistas conviviam, ela era a única crença comum, que fazia todos erguerem olhos para o céu, apreensivos com a sua fúria. Erguiam-se templos: no alto de cada prédio havia uma estação meteorológica; como sacerdotes, físicos estudavam-na, tentando prever seus humores. Mas, apesar do temor, eles não a respeitavam: jardins eram cimentados e o lixo, espalhados pelo chão, diariamente.

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