Como agricultores, eles viviam em função do tempo, perscrutando os céus em busca de sinais: frentes frias, cúmulos-nimbos. Em noites de temporal, não dormiam, permaneciam acordados assistindo o nível da água elevar-se perigosamente por cima dos sofás apoiados em tijolos. Mas, eventualmente, eles iam dormir. E concluíam ser impossível adaptar-se a outro endereço e a outras linhas de ônibus. E, como primitivos que ainda não haviam descoberto o calendário, assim que a estação passasse eles se esqueceriam das marcas d’água na parede e das crianças afogadas, e em outubro aplaudiriam o primeiro forasteiro que aparecesse pedindo votos e distribuindo panetones.

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