domingo, 21 de agosto de 2011

Contos de cinema IV


Houve um tempo em que, para se encher um lago de sangue, era preciso pintar uma diva de verde; e um universo podia ocultar detalhes da irrealidade, como se o mundo em corres fosse apenas resultado de uma alucinação. Subitamente toda imagem concretista – planos geométricos regulares, pêndulos diante de espelhos, losangos com cores alternadas – é imbuída de significado: representação de uma paranóia, a repetição se torna obsessiva. Alucinado pela própria mimese, o artista não distingue mais os planos à frente e atrás da câmera. E tudo o que resta, no final, é a musa que fuma com os lábios azuis.

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