domingo, 14 de agosto de 2011
Contos de cinema II
Em algum lugar, há um universo feito de louça e baquelite, de cores desgastadas, em que todos se comunicam por meias palavras e olhos arregalados. Presos num edifício envolto por névoa, eles se alimentam de cerejas e de eventuais visitantes, e se ocupam com estranhas coleções – cópias do mesmo quadro e números de mágica –, versões estendidas de cartas de amor e a vida alheia. Ocasionalmente, um forasteiro vem atrapalhar o delicado equilíbrio, apenas para restaurá-lo em seguida, mais interessante, como um novo membro da ordem social, adaptado à dieta e ao cárcere. Em algum lugar dos esgotos de Paris.
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