sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Durante duas horas por dia, eles se sentavam lado a lado e, em cadeiras paralelas sobre uma plataforma diante de um abismo, encaravam o vazio. Vestiam-se com especial cuidado para a ocasião: o senhor mais velho usava terno e gravata, a mocinha um vestido novo, da moda, o jovem médico estava sempre de branco, o operário com o rosto sujo de fuligem; com as mãos nos joelhos e ombros imóveis, encaravam o vazio. Enquanto seus observadores suportavam o seu silêncio, ou reagiam com vaias, palavrões, ou jogavam objetos, de pipocas a pés de sapato, contra eles, impassíveis encaravam o vazio.
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