quarta-feira, 20 de julho de 2011

Agridoce 1:47

Todo mundo tem um monstrinho de estimação. No caso dela, era um monstrinho que vivia encolhido e triste, e que só acreditava receber atenção quando ela estava encolhida e triste também. Com freqüência ela o levava para passear: nas festas, nos cafés, nos shows ele estava discretamente escolhido junto ao seu pé ou atrás de seu ombro, farejando tudo o que pudesse recolher de alimento. Pois se alimentava de pedacinhos quase insignificantes, que ele cultivava dentro dum copinho de leite como kefir, antes de comê-los, para que qualquer migalha de desatenção crescesse e o alimentasse até ele a engolir inteira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário