domingo, 17 de julho de 2011

Estação Ana Rosa

No chacoalhar monótono dos trilhos às quatro da manhã as portas se abriram acompanhadas de um sinal sonoro, abrindo-se na verdade para o espetáculo: dos assentos de dentro do trem podia-se distinguir a massa soluçante de duas sombras unidas em um abraço no banco da plataforma. Depois de alguns segundos, percebeu-se que era ele quem chorava, o rosto manchado de lágrimas, enquanto ela, soluçava explicações e desculpas. As cortinas se fecharam e, ao se abrirem novamente, exibiram apenas a mesma apresentação de trabalhadores e baladeiros insones. Há alguma coisa de errado com casais que decidem terminar numa estação de trem.

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