Havia muito tempo que ele perambulava, à toa, pelos corredores do museu. Não aparecia em horários fixos, e às vezes passava muitas semanas sem ir lá, quando os seguranças acabavam sentindo falta dele. Mas sempre voltava, parecendo apenas esticar as pernas, olhando para as telas com indiferença, circulando entre os maiores artistas sem notar nenhum: pintores holandeses, Picasso, gravadores orientais. Como pagava ingresso (entrada inteira), não havia porquê impedi-lo. Até que um dia um dos seguranças, seu amigo de anos para quem sempre pagava um café, notou que ele olhava para as paredes, o espaço em branco entre as telas.
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