sábado, 9 de julho de 2011

Francesca


O livro, pretexto de todo o pecado, caído para o lado, desaparece e funde-se com o chão. Do chão emergem os pés numa leve contração do corpo excitado, que, apesar de vestido, parece nu, envolvido pelos braços fortes que quase a erguem do solo. Ele se inclina de modo a envolvê-la com o seu corpo como uma serpente. Doce é o suplício e vale a danação eterna: beijando-se para toda a eternidade, mal se vê o talho na carne produzido pela espada do marido traído. A paixão é mais forte do que a moral, e a condenação só a intensifica.

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