Ela desceu desesperada a rua do mesmo jeito que subira ofegante as escadas do metrô enquanto os sapatos novos doíam-lhe nos joanetes e rasgavam a pele dos calcanhares. Sem mal respirar ela chegou à recepção do prédio onde foi fotografada antes de entrar no elevador sem botão que já sabia o seu andar. Mas foi ao abrirem-se as portas do elevador que o ar fugiu-lhe dos pulmões: o pavimento dourado se estendia até onde não podia mais ver e o seu futuro chefe recebeu-a com ar enfastiado enquanto ela tentava a custo disfarçar o suor e o sangue nos pés.
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