sábado, 1 de outubro de 2011

Patinho Feio

Enquanto o inverno durou, o patinho continuou em círculos intermináveis. Ele nadava em sentido horário, depois em anti-horário, e o calor do seu corpo aquecia a água em volta e mantinha o gelo afastado. Enquanto nadava daquela forma alucinada, não parava de pensar: por que eu nasci assim? Por que é errado ser feio, e certo ser bonito, ou então útil feito uma galinha? Não haveria nada de errado em ser feio ou inútil, em querer ficar deitado na água, sob as estrelas. Mas, se ele quisesse ver estrelas novamente, agora ocultas no céu encoberto, não poderia ceder ao cansaço.

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