Ele vagueava pela rua, mas estava protegido pelo seu cobertor. Graças a ele podia explicar àquelas pessoas todas o que elas estavam fazendo de errado, mas apenas o encaravam sem entender. Já não se lembrava direito, mas houvera um tempo em que àquela hora a rua agora repleta de gente estava calma e vazia, com exceção das amigas que trabalhavam na calçada. Quando o viam recolher latinhas de cerveja jogadas no chão, atravessar a rua descalço ou acomodar-se sob um pórtico, tentando dormir na calçada lotada de notívagos barulhentos, era mais fácil acreditarem que sempre fora apenas mais um sem-teto.
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